Podemos até ousar em dizer que é o encontro dos prazeres. Nela os Chefs se tornam alquimistas maravilhosos, onde conseguem transformar ingredientes comuns em verdadeiras obras de arte.

A cozinha é vida, é movimento, é inspiração e sentimento…

Dessa forma, eles conseguem personalizar seu dom de forma indecifrável, materializando um novo sabor com pitadas de magia e amor.

Cozinhar é uma arte!

É o requinte do bom gosto associado ao sentimento mais simples que é o de servir. Pois cozinhar com zelo e carinho é um ato de amor e faz com que as pessoas tenham sensações e prazeres imensuráveis.

E assim, podemos fazer uma singela introdução para falar desse grande profissional da gastronomia que é o Chef Marcio Ricci. Seu talento fez romper barreiras e fronteiras. E hoje colhe frutos de um trabalho que vem desenvolvendo com excelência a mais de vinte anos, fazendo-o ser um dos chefs mais badalados e requisitados da Europa.

Biografia

Nasci no Brasil, no estado do Paraná e desde criança brinquei entre os tachos da minha avó e as máquinas de fazer pão da família. A tradição das famílias Portuguesas e italianas onde nasci, influenciaram a minha curiosidade pela culinária, me empurraram para a cozinha.

Aos onze anos fazia os bolos de aniversário com a preciosa ajuda da minha avó paterna, filha de italianos, com quem muito aprendi. A sua paciência e ternura, fizeram que mesmo nessa idade e com várias tentativas, me incentivava a continuar nas minhas experiências para fazer o bolo perfeito. Massas de pão e bolos foram sempre os meus produtos preferidos. Assim, criava sabores que sempre davam certo e que agradavam os adultos. Enquanto estudava, conseguia arranjar tempo para fazer cursos de chocolate e de confeitaria; isso fez com que eu tivesse uma excelente base, me apaixonando pela cozinha com arte e determinação.

Trabalhei em restaurantes e confeitarias, aprendi a decorar bolos, a manusear o chocolate e a fazer todos os tipos de pastas frescas italianas. Paralelamente cursava gestão a noite e ficava sempre a pensar de como seria o meu futuro, pois, até o momento estava faltando algo que me realizasse, pois queria um novo rumo para a minha vida. Então resolvi tirar umas férias em Portugal, talves isso me faria decidir.

Cheguei em Lisboa na primavera de 2001; e tudo era diferente de tudo que já tinha vivido em meu país. Nada foi fácil no começo, ninguém me conhecia e ficavam descrentes se eu realmente sabia fazer tudo o que dizia, devido a minha pouca idade.

Sem deixar me abater, resolvi recomeçar. Na pastelaria Ribeiro do chefe Alves, tive a oportunidade de mostrar o meu talento através de bolos de casamento e bombons artesanais; mas foi um lugar de muito aprendizado também, pois aprendi a fazer pastéis de bacalhau, de nata e muitos outros pratos da cozinha tradicional portuguesa.

Com isso, fiz bons amigos e que me recomendaram para trabalhar na residência de verão no Estoril de mme. Beatriz Patiño. Foi aí que descobri um mundo de requinte, bom gosto e sofisticação, onde tive o privilégio de conhecer chefs internacionais, que foram de suma importância para o meu aperfeiçoamento profissional. Os jantares, banquetes e recepções glamourosas que só madame Patiño sabia proporcionar aos seus convidados, serviu de inspiração e aprimoramento profissional, no qual sou grato pelos momentos preciosos que trabalhei em sua casa.

Comecei então a cozinhar em casa de algumas famílias emblemáticas da sociedade lisboeta, onde retorno regularmente como cozinheiro convidado. Tenho desde então, tido a oportunidade de divulgar meu trabalho e experimentar algumas combinações interessantes entre as gastronomias brasileira e portuguesa.

O incentivo de todos para com quem trabalhei, trouxe-me onde eu estou hoje e é graças a isso que escrevo esse modesto depoimento e contribuição para a fusão das tradições, dos gostos e produtos desses dois mundos de sabores diferentes e imensamente ricos.

Lembro-me das palavras da minha avó, que sempre estiveram comigo e repito: “Sou filho de Deus, sou capaz de fazer tudo de modo maravilhoso e tenho sempre boa sorte, porque Deus me protege”.